sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Um quadrado perfeito





Volte ao final do último post. Tome os dados do "problema":

A entrada esquadriada pela mão do homem, é retangular. Dá acesso a uma galeria em declive, de 130 metros, prolongada por uma escadaria em caracol, com cem degraus, que leva ao adytum propriamente dito...

Direto às contas: imagine que a galeria tem declive de 15° para facilitar as contas, pois nesse caso, pode-se aplicar o seno da diferença entre 60° e 45°, que são valores conhecidos, tabelados, ou seja, sen(15°) = sen(60° - 45°) = sen(60°)*cos(45°) - sen(45°)*cos(60°). Observe que a altura da galeria em declive é dada por 130*sen(15°)m.

Agora, imagine que a escadaria em caracol tem um espaçamento entre cada degrau de 0,1m = 10 cm. A escadaria totaliza 100*0,1m de altura.

Some tudo levando em conta apenas a primeira casa após a vírgula e encontre, aproximadamente, o quadrado perfeito, 36m = (6^2)m. O valor exato é 43,646475863327699105356848891126m...

Há outras possibilidades para encontrar o quadrado perfeito 36m, por exemplo, tome o ângulo de inclinação 11,54°. Vá em frente, divirta-se!

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Só para iniciados



Em Roma, também, a profecia era institucionalizada, e recorria-se a ela, em todas as circunstâncias importantes da vida particular e pública. Era reservada aos áugures, sacerdoters especializados, reunidos num colégio.

Cícero também foi um áugure, o que não deixa de ser um tanto cômico, visto ter sido ele autor de um tratado sobre a futilidade dos presságios.

Os diferentes presságios eram interpretados, em parte, conforme a tradição oral e, em parte, por meio dos livros augurais; às vezes eram interpretados com o auxílio de compêndios que comentavam esses livros, compêndios esses de indiscutível autoridade.

Os áugures não apenas eram consultados pelos cidadãos em qualquer fase importante de suas vidas particulares como, por exemplo, antes de um casamento, etc; possuíam também, o direito de intervir em quase todos os atos da vida pública. Era impossível construir-se um templo, aprovar-se uma lei, ou programar-se uma expedição militar sem os presságios dos áugures.

O colégio dos áugures só foi dissolvido no quarto século de nossa era por um édito do ano 392, assinado pelo imperador cristão Teodósio.

Ao lado desses sacerdotes-profetas, que desfrutavam de um estatuto especial, havia em Roma os adivinhos privados, chamados arúspices, também de origem etrusca. Suas atividades foram regulamentadas apenas durante o império, quando foram agrupados numa corporação que estava limitada a sessenta membros. Os romanos eram extremamente supersticiosos, e os arúspices gozavam de uma popularidade que pode ser comparada, hoje, à de nossos videntes profissionais. Embora suas técnicas não fossem muito diferentes das do áugures, tinham fama de charlatães, e frequentemente foram alvo das sátiras de Juvenal.

Entretanto o profetismo na Itália antiga reservava uma posição de destaque à sibila de Cuma.

A cidade de Cuma, que se elevava acima da baía de Nápoles, foi fundada no sétimo século antes de nossa era por gregos originários da Eubéia, que ali construíram um templo de Apolo, parecido com o de Delfos.

O templo se encontrava no meio de uma floresta, no topo de um penhasco que dominava o mar. Numa das numerosas grutas existentes no penhasco, acima do lago Averno, que, para Virgílio, era a porta do mundo subterrâneo, encontrava-se o antro da sibila, e que foi reencontrado por arqueólogos em 1932.

A entrada, esquadriada pela mão do homem é retangular. Dá acesso a uma galeria em declive, de 130 metros, prolongada por uma escadaria em caracol, com cem degraus, que leva ao adytum propriamente dito, que é um pequeno cubículo quadrado; este se comunica com o lago mediante um poço natural, do qual se elevam vapores. Mesmo em nossos dias, todo este conjunto continua bastante impressionante.

Lendo isto me surgiu a seguinte questão: quantos metros, na vertical, haverá desde a entrada da gruta até o adytum?

Faça as suas contas e vamos verificar no próximo post.

É a número 3



Se o Templo de Apolo tivesse um correspondente nos dias atuais seria Hollywood, mas, isto é apenas ficção....

Quem pesquisa Genealogia a sério sabe que a PUCRS tem um Espaço de Documentação e Memória Cultural chamado de - não por acaso - Delfos. Vou me deter nas origens do nome Delfos.

Entre todos os santuários dedicados a Apolo, o mais conhecido e famoso de todos era o santuário de Delfos.

Não apenas pessoas de todas as cidades gregas para lá se dirigiam a fim de orar, consultar e trazer suas oferendas, mas, lá se encontravam "homens piedosos de todos os países".

Não era por acaso que os helenos chamavam Delfos de ómphalos, isto é, o umbigo do mundo. Situado na Fócida, no sopé do Parnaso, no impressionante cenário de um anfiteatro natural dominado pelos penhascos das Fedríades, esse lugar é, efetivamente, equidistante dos quatro pontos cardeais da Grécia.

Delfos está, assim, no centro de um país que se considerava o centro do mundo civilizado. Estando em Delfos, é possível, por assim dizer, abraçar com o olhar toda a Grécia.

O nome Delfos deriva de delfim, em alusão ao animal que serviu ao jovem Apolo para ali aportar, vindo da Ilha de Delos, para trucidar a serpente Píton.

O templo, cujas ruínas podem ser vistas ainda hoje, reconstruído pelo arquiteto coríntio Spíntharos, é retangular, e suas diagonais coincidem com os eixos dos soltícios; atrás se elevam os degraus do estádio e, no frontão, estavam esculpidas a letra E, cujo significado era conhecido apenas pelos iniciados, e as palavras Gnôti Seautón, cujo significado é: Conhece-te a ti mesmo.

A profetisa do templo de Delfos, chamada Pitonisa, era uma simples camponesa, escolhida apenas por ter bons costumes e obrigada a observar a castidade total a partir do dia em que era escolhida para seu sacerdócio. Antes de oficiar, a pitonisa se purificava nas águas da fonte Castália.

Continua na próxima, vai ter uns cálculos matemáticos, é tri

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Keep Calm and Learn French



What a heresy! Encontrei a versão francesa do Keep Calm. É o Parfait Stressé. Aprecie estes aperitivos:

Tente utilizar o seu gato como almofada.

Colecione cartões de crédito.

Nas suas próximas férias escolha um país em plena guerra civil.

Atenda sempre ao telefone. Nunca se sabe. Poderão anunciar talvez a morte de alguém.

Minta o mais frequente possível, até que você não saiba mais a quem contou o quê.

Esforce-se por atrair a atenção em todo momento. Se necessário não hesite em causar um escândalo.

Lave as suas roupas íntimas de seda na máquina no programa Branco, Algodão, 90º.

Convide para o jantar a pessoa que você sonha em seduzir. Prepare a refeição você mesmo se inspirando em um livro de receitas exóticas (traduzido do chinês por um tradutor tcheco, por exemplo).

Escute os conselhos de seu melhor amigo e vá cortar os cabelos no salão de um cabelereiro fashion. Diga-lhe: "Eu tenho vontade de mudar o visual, eu confio em você".

Vá à boate e dance. Imagine que John Travolta está na pista e julga a sua técnica.

Um condutor histérico lhe insulta pois você atravessou debaixo do nariz dele. Diga-lhe alto e forte: "Desculpe-me caro amigo, não haveria entre nós um leve mal-entendido?".

Não saia jamais sem uma arma de fogo na sua bolsa.

Coloque a sua cabeça entre os joelhos, balance para trás e para frente e salmodeie: "Oh meu Deus, ó meu Deus...".

Encete uma psicoterapia. Mencione-a ao seu patrão durante o balanço de fim-de-ano.

Descubra a criança que dorme em você - ela faz ainda provavelmente xixi na cama.

Assista documentários animais - em particular aqueles em que a gente os vê devorar seu primogênito, matarem-se uns aos outros após o acasalamento, lutarem até à morte durante o período do cio.

Quando você chamar um taxi exija um condutor grosseiro e racista, que ignora o uso do desodorante e despreza luzes vermelhas.

Você nunca notou como a erva ondula sob o vento e curva a espinha, de medo que a brisa a quebre? Estúpido, não?

Imagine uma floresta tropical e uma praia de areia branca. Depois pergunte-se quando vão chegar os lenhadores, as imobiliárias, as medusas venenosas e os testes nucleares.

Vamos ficar por aqui que a coisa tá ficando crítica...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Mais um degrau



Gostaria de parabenizar o ex-colega de física, Rafael Bán Jacobsen, autor de “Tempos & Costumes”, “Solenar” e “Uma Leve Simetria”, pela posse da cadeira número 29 da Academia Rio-Grandense de Letras nesta terça-feira, dia 12 de novembro de 2013. Ele virou doutor em física, eu não cheguei a concluir, passei para a matemática.

E acredito que entre as principais qualidades que fizeram-no merecer este destaque figuram o bom-humor e a erudição, bem acima da média, qualidades estas que são apenas um corolário da sua ampla formação em música, ciência, literatura, cabala, nutrição, atletismo e, como se diz por aí, 'o diabo a quatro'.

Queria aproveitar a ocasião para estabelecer a diplomacia também, de maneira geral. Queria dizer o que penso dos judeus, depois de anos de estudo sobre o que os cientistas sociais chamam de 'a questão judaica' ou 'o problema judaico'. Cheguei a uma conclusão para mim satisfatória: ser judeu é gostar de arriscar, mas muito muito mesmo, muitíssissímo, como organizar uma expedição para encontrar o pote de ouro do outro lado do arco-íris, ou, mais compreensível, é como pular de pára-quedas: se não der certo, a morte aguarda lá embaixo, se der certo, as pessoas aplaudem estrondosamente.

Deu sorte hein Rafael!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A Casagrande dos Casagrande


Fazia tempo que eu queria contar isso aqui, acho digno de registrar este fato. Não encontrei em qualquer livro de história uma explicação como essa. Tínhamos um colega na matemática, o Eduardo Casagrande, foi meu professor particular de análise. Então, essa é pra ele. O Sr. Casagrande, aquele que joga bocha (é boxa ou bocha?) no Donato, que contou. Eu digo que é o homem da fala fina. Falou que os italianos da leva dele chegaram aqui todos sem sobrenome e foram morar numa casagrande. Aí pegou, passaram a se chamar "os Casagrande". Tenho fé nele.

Taí, os genealogistas italianos que anotem essa.

Flash Back


Vale a pena ler de novo este texto do Tiago Casagrande, que está no outro blog Pseudoanalista:

Porto Alegre acorda com garoa fininha, que compassada tamborila no guarda-chuva. Porto Alegre de asfalto lavado, e os plátanos chorando a paixão que perdi. Então eis que te vi, e ali logo soube haver amor; assim, pude sentir, que mesmo na chuva há calor.

Pronto agora é só alguém tocar o sambinha no violão. Aliás, que saudade de ir tomar ceva no bar do Nito.

Sábado conheci a garota mais linda da cidade. E ela cheira bem. Nuff” said.

Estamos a uma semana das eleições e eu não acredito no que está acontecendo. Eu estou perdendo todas as polêmicas! Vou perder a eleição, meu time de futebol vai ser rebaixado. Só falta Djisas himself descer e mandar fechar a conta dos nossos pecados.

Peraí. Não tem um bagulho no Habib’s que se chama “fogazza”? Tô dizendo! Doutor chega no Habib’s e, com uma piscadela, pede à atendente:

Bor favor, eu gostaria de um fogazza.

Qual o recheio?

Vento. Vento Negro.

Pode deixar.

A garconete pisca para o doutor e retorna em instantes com uma urna eletrônica. Um garçom de cabelo black power inicia uma demonstração de break dance sobre um pedaço de papelão e os clientes aplaudem. O gerente manda distribuir refrigerantes grátis. As pessoas riem muito e se abraçam. O doutor digita os números no dispositivo eleitoral eletrônico e é nesse instante em que entra Pterodáctilo e...

Esse esquete foi interrompido pela Lei Eleitoral Alimentar n° 9899/04.

Falando em fast-food, ontem aprendi a fazer molho Barbecue. Heh. Tri massa. Ficou igual. Na verdade, é uma mentira, é um maldito molho mentiroso. É só processar catchup adicionando cebola refogada, vinagre, temperitos variados e... taram... açúcar mascavo. Depois é deixar reduzir até caber num dedal.

Mas fica boooom. Servi com costelinha de porco assada e arroz com páprica.

Ah! Costelinha do Frigorífico Riosulense, da gloriosa Rio do Sul, Santa Catarina.

Na verdade, diz o rótulo que o frigorífico fica na vizinha Presidente Getúlio; e, por outras informações que obtive, cheguei à conclusão de que Rio do Sul não existe.

O que me deixa preocupado pra saber, então, onde está o Anderson?

Revi Pulp Fiction ontem. Cruzes! Fica cada vez melhor. Pena que o dvdripnburn não funcionou. Hoje tento de novo. Heh.

Ah! Kill Bill vol2 ficou pra amanhã. Depois da análise. Waaa.

Vai começar a Feira do Livro, que é a época do ano em que eu mais me apaixono por essa cidade.

Li na Aplauso que, terminada a Feira, começam obras para dar à Praça da Alfândega seu desenho original, dos anos 40. Que haverá nova iluminação e os hippies vão ser transferidos. Leio também sobre o projeto que pretende integrar o Cais do Porto à Feira; e que para ser seguro, precisaria de modificações do trânsito, a saber, a construção de um túnel na Mauá, em que os carros passariam em baixo da nova passarela de pedestres. Que barato.

É a última semana de outubro, o mês eterno. Sim! Vai terminar! É sério!”.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Pesquisando as memórias passadas



A origem do sobrenome Gonzalez vem do nome germânico Gunthfuns [formado de gunt, guntha - batalha, e de funs - pronto], ou seja, pronto para a batalha.

Em 476 A.D., o antigo império romano ocidental, atacado pelos povos germânicos entrou em colapso, fracionando-se em 10 divisões: os francos, que vieram a ser a França; os anglo-saxões, que vieram a ser a Inglaterra; os alemanos, a Alemanha; os suevos, mais tarde Portugal; os visigodos, a Espanha; os burgundos, a Suíça; os lombardos, o norte da itália; e os vândalos, hérulos e ostrogodos que foram mais tarde destruídos.


São Jerônimo, ilustre sacerdote da igreja latina, autor da tradução das Escrituras Sagradas em latim, chamada Vulgata, e que viveu de 340 a 420 A.D., assim se expressou a respeito da situação do império romano: "Em nossos dias o ferro se misturou com o barro. Noutra época não houve nada mais forte que o império romano; agora, não existe coisa mais frágil; está misturado com as nações bárbaras, de cujo auxílio necessita".


Em consequência dessa mistura de ferro e barro, os descendentes do clã Gunthfuns tiveram o segundo elemento do nome trocado por salvus - salvo, o que resultou no novo nome Gunthsalvus, Gundisalvus. Este fato sucedeu-se na Península Ibérica, donde o nome chegou à forma atual através da expressão latina fq - ver nota final - Gundsalvici [filho do sr. Gundsalvus] que evolui para Gundsalvis, Gunzalves, Gonzalez; Gonzales e Gonçalves são variantes, esta última é portuguesa.

Nota: expressão clássica medieval que representa a primeira fórmula encontrada para distinguir as pessoas, quando não havia ainda sobrenome; é composta dos termos latinos filius, filho, e quondam, outrora, de uma vez, falecido [Johannes filius quondam Filippi, indicava o Johannes filho do falecido sr. Filippus]; com esta expressão se fixam quase todos os sobrenomes indicativos de filiação e que derivam de nomes próprios; aos poucos, a expressão foi-se reduzindo somente a quondam ou sistematicamente abreviada nos textos como fq. ou apenas q. Para maiores detalhes, convém ler o livro Filius Quondam [Ed. São João, 1996], onde se descreve amplamente o surgimento e a evolução de 'filius quondam' [pg 99 e ss.].

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O fator educação



Esses dias me lembrei do meu orientador, de quando eu ainda estudava física. Eu trabalhava como voluntária, não tinha bolsa de pesquisa sobrando. A única vez que ele me chamou na sala dele pra conversar foi pra me mandar "circular o conhecimento, a informação". Na época não fez muito sentido, hoje sim está claro, o conhecimento só multiplica quando a gente põe ele pra circular, igualzinho ao dinheiro.

Outro episódio que eu não me esqueço também, foi no último Fórum Social Mundial, quando ouvi um estrangeiro comentar dentro da Linha Universitária que o que falta ao Brasil para entrar no time do primeiro mundo é..., adivinha?

Bem, ano passado, me convidaram para assistir uma semana de aulas no pré Unificado, a semana de apresentação dos professores. Não sei se é de conhecimento geral, o Unificado faz política e sabe onde pisa. Queria "circular" alguma informação que anotei daquelas aulas com algumas observações minhas.

Dos problemas da educação brasileira

1. ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente: o professor não pode fazer nada porque é tudo antiético, e quando o aluno vai mal a culpa cai sempre nele. 2. LDB - Lei de Diretriz de Base: média 5 ou 6 acarreta preguiça mental, e pior que ninguém nasce com QI alto. Cérebro é igualzinho músculo, precisa fazer ginástica pra hipertrofiar. 3. SOE - Serviço de Orientação Educacional: para tratar do problema dos "burros". Como professora de aula particular classifico os alunos em duas equipes: os que aprendem rápido mas demoram para fixar o conteúdo e aqueles que demoram para aprender mas logo que entendem memorizam o aprendizado. Isto é genético, depende do balanço metabólico, não adianta estereotipar o aluno, precisa orientar o estudo no sentido de adaptá-lo a essas diferenças. 4. Os livros do tipo rapidinhos, que pulam etapas do aprendizado. Por exemplo, algum aluno sabe da onde veio a relação 3,6 m/s = 1 Km/h? É desta maneira que o aluno vai aprender a raciocinar por si mesmo?

Dos problemas da juventude brasileira que influenciam o aprendizado

1. Auto-limitação: "Ai profenssor, eu não consiiiigo entennnder..." ou "eu odeeeeeio matemática". O conselho é: Vá te reciclar! 2. "Miojização" da cultura: querem aprender tudo em 3 minutos. Fenômeno cultural que reflete o avanço tecnológico no setor educacional: TV, celular, calculadora científica, smartphone e tablet. 3. Subcultura holidiana: afeta a interdisciplinariedade, a ligação dos fatos ordinários. 4. Geração Y: dizem que a Geração pós-Geração-COCA-COLA faz tudo ao mesmo tempo, é hiperativa, não tem concentração.

Dos problemas de relacionamento com os alunos.

1. Protesto silencioso: onde escasseia a comunicação abunda a violência. Chamam de tourada, a essa palhaçada. 2. Cadeiras e bancos: como todo mundo sabe as cadeiras e bancos das escolas brasileiras não são muito "confortáveis". 3. Resumo: ou é falta do Verbo ou é falta da verba. Claro como as águas do Guaíba...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Diálogo Transcedental



Olha aí, pra quem interessar, parte da minha conversa com uma psicóloga diferente:
J: Eu vejo vidas passadas desde criancinha. Sou católica, nasci assim. Só não fico cutucando isso. Quando aparece eu falo.
L: Quer dizer memórias passadas?
J: Sim, acho que a pessoa tem memória genética e de alguma forma eu faço essa leitura.
L: Sim, há uma genética psíquica, as memórias das outras encarnações anteriores. Chamam-na de tabula rasa em latim. O corpo psíquico é imortal.
J: É... por aí. O que você faz Lisany?
L:  (Digo para ela o que faço e dou o link do livro "Tábula Rasa" de Steven Pinker para ela visitar).
J: Muito Legal. Eu vou ter que voltar e olhar o que senti sobre esse livro. Já li ele faz bastante tempo. Lisany, parecemos um quebra-cabeça porque estamos nele e não fora afastada para observar. Então é difícil estar inserida, mergulhada e ver bem tudo.
L: Sim, mas já saímos do zero e duas cabeças pensam melhor do que uma. Na matemática chamam isso de tangram, é um quebra-cabeça chinês. Tem a ver com o incêndio da biblioteca chinesa onde todo o conhecimento pré-cristão foi destruído.
J: Adoro tangram hehehe
L: Ah conhece então. O Pinker é difícil de entender. Usa linguajar técnico, fala por parábolas.
J: Vou reler, e divido contigo minhas impressões.
L: É aquela coisa: ao que tem lhe será dado, ao que não tem até o que tem lhe será tirado.
J: Lei da atração?
L: Lei do esforço.
J: O exercício da vontade.
L: É, tem que estar interessado. Ele não joga pérolas aos porcos.
J: Quando os livros do Pinker foram lançados eu queria falar com alguém sobre e ninguém estava a fim.
Olha na escola, me parece, desenvolver o interesse das crianças é o mais desafiador no momento. Acompanho uma professora que é mestre nesse quesito. O ano passado ela conseguiu pegar 32 alunos de terceira série que não sabiam ler, não conheciam direito as letras, eram os demônios da escola. Pegou a turma andando, não pegou no primeiro mês. No fim do ano, 16 estavam alfabetizados e entendendo o que se dava para eles ler, sabiam interpretar. E ela diz assim: meu trabalho inicial é conseguir que eles queiram saber o que eu sei e que queiram fazer o que eu faço. Não dá pra eu atirar o conhecimento sobre eles.
L: Ah sim precisa motivá-los. Em particular creio que o Brasil é um país amaldiçoado.
J: Ela diz, é preciso interessá-los, despertar a curiosidade deles.
L: Tem alguma coisa a ver com a história do Brasil, talvez você saiba melhor do que eu.
J: Nãoooo, não. Não creia nos discursos. Quando você vai a campo e observa uma pessoa que sabe o que está fazendo, nooossssaaa. Eu diria que nunca quiseram que nós Brasileiros fôssemos cultos e autônomos, por isso o conhecimento demorou e ainda demora para quem não é bilingue. O que traz autonomia não é bem visto por aqui. Se você ensina uma criança a pensar, você está trazendo à vida um crítico.
L: Certo, mas isso em si não é uma maldição? Se os deuses permitem isso, se o Deus de Israel permite é porque ele não deseja nos abençoar. A benção e a maldição não podem coexistir.
J: Depende, acho que temos uma corrida de obstáculos, nós abrimos os braços para as graças e tentamos escapar das maldições. 
L: Acha que é por merecimento? Que é fruto da luta? Bem a vida em si é uma luta.
J: Estou atendendo o telefone, já respondo. Era uma emergência de uma cliente. Não, não acredito que seja uma luta. Mas, a cada afirmação parece que somos testados pelo universo, como se ao afirmar, existisse um aparato automático do tipo "auditoria" que vem para balançar essas certezas (afirmações) de trazer à tona suas fragilidades. A abrangência daquilo que eu afirmo se mostra também pela oposição, se revela, me parece mais apropriado.
L: É, isso tudo é novo para mim, está caindo a ficha ainda. (Dou o link do livro "Aliens testam o seu qi" para ela olhar). Não gostaria de me sentir uma cobaia. Um atleta pode ser.
J: Do Pinker: Como a mente funciona e Do que é feito o pensamento // quando ele escreveu esses que eu comecei a me interessar sobre o assunto. Depois deixei pra lá, pois eu estava lendo Foucault e tinha companhia pra discutir. E deixei o Pinker pindurado (sic) na Tábula Rasa. 
L: Cheguei a um ponto em que a cultura cristã, já não dá conta de responder a todos os meus questionamentos. Preciso procurar em outra parte, tenho feito isso, e de pessoas iluminadas também.
J: Pois é, eu não deixei de ser católica, porque o padre que era meu amigo disse pra mim: Filha, eu não tenho resposta para todos os mistérios, eu tenho fé, e estou muito preocupado que você deixe de ter fé porque eu nunca questionei o que você questiona. Muito lindinho, né?





sexta-feira, 12 de julho de 2013

Mitologia, Irmãos Grimm, Lendas e a Trindade



Ainda sobre os vikings, estive comparando algumas divindades nórdicas com as brasileiras. Tanto Odin quanto São Jorge vem montados em um cavalo, o primeiro num corcel de oito patas e o último num cavalo branco. Ambos são guerreiros e vitoriosos.

Outro personagem que vem montado em um cavalo branco é o Príncipe encantado no conto da Cinderela. Este é a figura do Cristo, o Deus Filho, o Conquistador da Humanidade.

Em uma linha paralela, porém em oposição, estão o conto da Chapeuzinho Vermelho e o Relato da Queda de Adão. O Caçador satiriza Jeovah, o Deus Pai, o Justiceiro Tirano. E a Serpente é uma imitação do Deus Mãe, O Espírito Santo, o Sedutor das Almas.

A coisa, no entanto, corre nos dois sentidos: tanto o Príncipe conquista a Princesa como esta o conquista; tanto o Lobo Mau tiraniza a Chapeuzinho quanto o Caçador o tiraniza; tanto a Serpente seduz Eva quanto esta seduz Adão.


Há outros pontos a considerar, que o texto original não deixa bem claro: a Serpente seduz Eva via subconsciente, e não através de um arrazoado de palavras bem elaboradas; o Príncipe sim, este consquista a Princesa no mais perfeito juízo, no maior galanteio; e o Lobo Mau, por sua vez, não encontra a Chapeuzinho por acaso na floresta, mas é enviado ao encontro desta pelo Caçador.

domingo, 9 de junho de 2013

Reflexões aquáticas



Outro dia estava relembrando do início da minha vida aquática. Nós, eu, minha irmã e a patota, frequentávamos a piscina do colégio, todos os domingos às 6 horas da tarde, durante a temporada de verão. Foi em 1992, que tudo começou, de verdade. A piscina tem uma parte mais profunda, os típicos 2m, com um degrau junto à parede para a gente descansar. E bom para os iniciantes, aqueles que tem medo d'água.

Foi tudo tão rápido, não tive tempo de reagir, ela me empurrou da beira da piscina. Tomei três caldos, não pensei que ia me afogar, não pensei nada, foi muito rápido. Quando subi pela terceira vez uma moça forte chamada Solange me agarrou pela mão e me puxou de volta para a beirada.

Daí em diante comecei a tentar algo, a brincar na parte funda, não me lembro muito bem dessa parte. Eu tinha vergonha, o pessoal veterano todo sabia nadar. Algumas meninas da minha idade também. E eu só sabia mergulhar. E não sabia jogar vôlei nem basquete. Eu queria praticar um esporte. Me propus a aprender a nadar igual aquela gente toda, mas sem acreditar muito. Sonhava apenas com esse dia.

Foi um processo lento, primeiro aprendi o nado peito, como um processo natural de se mover dentro da água. E depois o crawl com muito dificuldade. Mais adiante fiz aula na PUC-RS, foi quando aprendi o nado costas e corrigi os defeitos do nado crawl. Na Escola Superior de Educação Física da Ufrgs aprendi as viradas de todos os nados e algumas dicas secretas.

Hoje, nado tranquila, se der uma cãimbra daquelas me agarro na raia. Até hoje não deu. Às vezes tenho medo, quando não tem raia, procuro nadar perto da borda. Tirei minha carteira de 'motorista aquática', finalmente. Quando tem muita gente às vezes a gente dá uma 'pechada' ainda. Tem quem faça de propósito, depois pede muita desculpa.

Teve uma época que nadei tanto, que fiquei com uma alteração hormonal no sangue. Eu tinha a testosterona livre, muitíssimo aumentada e pra espanto dos médicos, sem sintomas externos de virilização. Eu nadava na Sogipa, e coincidência ou não, acabei me consultando com um médico clínico geral que fizera um estágio na Sogipa. Foi quando fiquei sabendo que eu estava exagerando.

Apesar de tudo não me arrisco no mar, só se amarrar uma corda no meu pé, bem comprida, antes de entrar. A única e última arriscada da minha vida foi nadar cerca de 2 Km adentro na Lagoa de Ibiraquera nas margens do Iate Clube. Tremi na base e orei muito quando despencou um temporal em cima de mim, nadando de costas pra ter fôlego, e olhando sempre pra ver se estava perto da outra margem. Tive medo da correnteza, que ela me desviasse da minha rota e eu me cansasse.

Dois homens se aproximavam num barco a motor. Acenei muito e pedi socorro. Eles se aproximaram. Um deles segurou forte na minha mão e disse pra eu não largar. Eu não podia entrar porque o barco viraria. Me levaram até a margem. Um deles desceu e eu embarquei. Dentro de alguns minutos estávamos no Iate Clube onde toda o acampamento me aguardava de olhos esbugalhados. Me entrevistaram pra o programa da noite e tal, foi um vexame. Investigaram sobre a minha saúde mental. Falei que tava precisando de uma emoção forte, coisa de jovem desmiolado.

Ano passado fui visitá-la. A gente se considerava gêmeas, em 1992, quando ela veio estudar pra cá. Ela me deu uma alemoinha de pano do artesanato de Blumenau. Casou com um engenheiro civil, tem um filho pequeno e tagarela. Mora numa casa de três andares, tem um carro velho e uma cadela chamada Schnib que anda junto com eles no carro velho. Estuda a psicologia. E continua arteira, e continua me criticando e me desafiando. Agora ela mandou eu voltar casada.