domingo, 19 de outubro de 2014
A Branca de Neve 5ª parte
E ficou em companhia dos anõezinhos. Desse dia em diante passou a cuidar da casa com todo o cuidado. De manhã, eles saiam para a montanha em busca de ouro e outros minerais. Quando, à tarde, regressavam, a comida já estava preparada. Durante o dia a menina ficava sozinha e os bons anõezinhos a aconselhavam:
-Cuidado com a tua madrasta, que não tardará a descobrir que estás aqui. Não deixes ninguém entrar.
Mas a rainha, certa de que tinha comido o coração e o fígado de Branca de Neve, pensou que era de novo a primeira em beleza. Certo dia, porém, colocou-se em frente ao espelho e lhe perguntou:
-Espelhinho, dize-me uma coisa: Quem neste país, é a mais formosa?
E o espelho respondeu:-Senhora rainha, vós sois como uma estrela, mas Branca de Neve, que mora nas montanhas com os sete anõezinhos, é mil vezes mais bela!
A rainha levou um choque, porque sabia que o espelho falava a verdade. Ficou sabendo que o caçador a enganara e que Branca de Neve não estava morta. Pensou, pois, noutra maneira de desfazer-se dela. Por fim teve uma idéia.
domingo, 12 de outubro de 2014
A Branca de Neve 4ª parte
Depois, o primeiro deu uma volta pela sala e viu que o lençol de sua cama estava um pouco amarfanhado. Exclamou surpreso:
- Quem subiu na minha caminha?
Os demais vieram correndo e todos gritaram:
- Alguém esteve deitado na minha caminha!
O sétimo, porém, ao examinar a sua, descobriu nela Branca de Neve adormecida. Chamou os outros, que acorreram logo e não puderam conter suas exclamações. Trouxeram a lanterna e iluminaram a menina.
-Oh, meu Deus! - diziam eles. Que bela criaturinha!
E foi tal sua alegria que decidiram não acordá-la, mas deixar que continuasse dormindo na cama. O sétimo anão se acomodou com seus companheiros, uma hora na cama de cada um, e assim transcorreu a noite.
Quando raiou o dia, Branca de Neve despertou e, ao ver os sete anões, assustou-se. Eles, porém, a saudaram amavelmente e perguntaram:
-Como te chamas?
-Branca de Neve - respondeu ela.
-E como chegaste à nossa casa? - continuaram a indagar os homenzinhos. Ela, então, contou-lhes que sua madrasta tinha dado ordem de matá-la, mas que o caçador lhe poupara a vida; que correra durante todo o dia até que, ao anoitecer, encontrara a casinha.
Falaram os anões:
-Queres cuidar de nossa casa? Cozinhar, fazer as camas, lavar e remendar a roupa e manter tudo em ordem e bem limpinho? Se concordares, poderás ficar conosco e nada te faltará.
-Sim - respondeu Branca de Neve. - Com muito prazer.
domingo, 5 de outubro de 2014
Branca de Neve 3ª Parte
Havia uma mesinha coberta com uma toalha branquíssima, com sete minúsculos pratinhos, cada qual com uma colherinha; e também havia sete faquinhas, sete garfinhos e sete copinhos. Junto à parede estavam alinhadas sete pequeninas camas, com lençóis de imaculada alvura.
Branca de Neve, que estava com fome e sede, comeu um pouquinho dos legumes e um bocadinho de pão de cada prato e bebeu uma gota de vinho de cada copo, pois não queria tirar tudo de um só. Depois, sentindo-se muito cansada, pensou em deitar-se, mas as camas que experimentou eram largas demais ou, então, muito curtas. A sétima, finalmente, serviu-lhe bem. Deitou-se nela e, agradecendo a Deus, adormeceu.
Já era noite fechada quando os donos da casa chegaram. Eram sete anões que se dedicavam a escavar minerais no morro. Acenderam suas sete lanterninhas e, quando a sala iluminou-se, viram qua alguém ali havia entrado, pois as coisas não estavam em ordem como as tinham deixado ao sair.
Disse o primeiro dos anõezinhos:
Quem se sentou em minha cadeirinha?
E o segundo:
Quem comeu do meu pratinho?
E o terceiro:
Quem cortou um pedaço do meu pão?
E o quarto:
Quem comeu de minha verdura?
E o quinto:
Quem usou meu garfinho?
E o sexto?
Quem cortou com minha faquinha?
E o sétimo:
Quem bebeu do meu copinho?
domingo, 28 de setembro de 2014
Branca de Neve 2ª parte
O caçador, obedecendo, encaminhou-se para o bosque com a menina. Mas, quando já ia cravar a faca no coração inocente da criança, esta começou a suplicar chorando:
Tem dó de mim, bom caçador, deixa-me viver... Ficarei no bosque e nunca mais voltarei ao palácio.
E, como era tão formosa, o caçador comoveu-se e disse-lhe:
Vai-te, pobrezinha! -E pensou: "As feras não tardarão a devorar-te!"
Sentiu-se, no entanto, aliviado por não matá-la.
Naquele momento passava por ali um veadinho, e o caçador, então, matou-o. Tirou-lhe o coração e o fígado e os levou à rainha como prova de haver cumprido sua ordem. A perversa mulher entregou-os ao cozinheiro para que os preparasse e depois os devorou, pensando que eram o coração e o fígado de Branca de Neve.
Nesse meio tempo, a pobre menina estava sozinha na imensa floresta. Sentia tanto medo que se sobressaltava ao menor movimento nas folhas das árvores, sem saber o que fazer. Saiu correndo por entre espinhos e pedras pontiagudas. Os animais selvagens passavam, saltando, a seu lado, mas não lhe faziam mal nenhum. Continuou correndo enquanto seus pés podiam carregá-la, até que o sol se escondeu. Viu, então, uma casinha e nela entrou para descansar.
Tudo ali era diminuto, mas tão caprichado e limpinho que não há palavras que possam descrever aquele primor.
Descontos de Grimm IV
Branca de Neve
Em um dia de inverno rigoroso, flocos de neve caíam do céu como plumas brancas. Uma rainha achava-se cosendo junto ao rebordo de ébano da janela. Enquanto cosia, olhando para os flocos, aconteceu espetar a agulha em um dos dedos e três gotas de sangue pingaram sobre a neve. E, como o vermelho do sangue se destacava, vivamente, sobre o fundo branco, ela pensou: "Ah, se eu tivesse uma filha, branca como a neve, corada como o sangue e de cabelos negros como o ébano desta janela..."
Pouco tempo depois, nasceu uma menina que era branca como a neve, de faces coradas como o sangue e cabelo negro como a madeira de ébano. Por isso lhe puseram o nome de Branca de Neve. Mas, ao nascer a filha, a rainha morreu.
Um ano depois o rei tornou a casar-se. A nova rainha era muito linda, mas orgulhosa e petulante e não suportava que alguém a superasse em beleza. Tinha um espelho mágico e, cada vez que se olhava nele, perguntava:
-Espelhinho, dize-me uma coisa: Que neste país, é a mais formosa?
E o espelho respondia:
-Senhora rainha, vós sois a mais formosa em todo o país.
A rainha ficava satisfeita, pois sabia que o espelho falava sempre a verdade.
Enquanto isso, Branca de Neve foi crescendo e se tornando cada vez mais linda. Quando completou sete anos, era tão bela como a luz do sol, e muito mais que a própria rainha. Esta, certo dia, perguntou ao espelho:
-Espelhinho, dize-me uma coisa: Que neste país, é a mais formosa?
Respondeu-lhe o espelho:
-Senhora rainha, vós sois como uma estrela. Mas Branca de Neve é mil vezes mais bela!
A rainha empalideceu de inveja e, desde aquele dia, cada vez que via Branca de Neve, sentia o coração apertar dentro do peito, tanto era o ódio que sentia contra a menina. E a inveja e o orgulho, como ervas daninhas, cresceram cada vez mais em sua alma, não lhe dando sossego dia e noite.
Certa ocasião, chamou um caçador e lhe disse:
-Leva esta menina à floresta, porque eu não posso mais vê-la. Deverás matá-la e, como prova de teres cumprido minha ordem, traze-me o seu coração e o seu fígado.
sábado, 6 de setembro de 2014
Perguntas para Reflexão
1)Chamar uma pessoa muito branca de lagartixa é considerado injúria racial?
2)Se sim, qual é a pena? Dez veraneios sem ir à praia serve?
3)Se não então as lagartixas vão continuar ligando a mínima pra o apelido?
4)Será que esses turistas que pensam que o Brasil é um país de macacos e bananas sabem que no Brasil também há lagartixas?
5)Será que eles leram O Diário de um Banana?
6)Será que eles sabem que lagartixas comem mosquitos?
7)Alguém aí se dispõe a escrever O Diário de um Mosquito?
8)Será que as lagartixas são nativas do Brasil ou são importadas?
9)Segundo a teoria de Darwin pode-se afirmar que o macaco evoluiu da lagartixa?
10)Se sim então o Planeta dos Macacos é mais evoluído economicamente que a Europa?
11)Se não então pode-se afirmar que a lagartixa degenerou do macaco?
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
A Bela Adormecida 2ª parte
Até que um dia decidiram consultar um sábio ainda relutantes, mas foram. Este aconselhou que chamassem todos os príncipes do reino e mandassem que eles beijassem a princesa. Ela os veria como num sonho e quando ela se apaixonasse por um deles acordaria. A sugestão do sábio pareceu magnífica aos olhos do rei e da rainha. Então, mandaram vir todos os príncipes do reino, um por um. Mas, depois de virem cem nada tinha acontecido de extraordinário. E só havia mais um, que jazia adormecido há muitos anos segundo o relato do sábio.
Ele lhes contou a lenda do Belo Adormecido do Bosque. Ele disse a eles que esperassem o príncipe acordar para chamá-lo ao seu reinado. Mas, o rei e a rainha sabiam que o sábio conhecia uma solução mais rápida, então ofereceram-lhe muito ouro e pedras preciosas, para que ele resolvesse logo o caso. O sábio pediu licença e invocou a décima-terceira fada, a que havia amaldiçoado o príncipe. Logo o sábio voltou e ordenou ao rei e à rainha que organizassem uma festa em honra à décima-terceira fada e o príncipe então acordaria do seu sono. Tudo transcorreu como o sábio dissera: o rei e a rainha fizeram uma festa em honra à décima-terceira fada, o príncipe acordou e veio ao encontro da Bela Adormecida do Bosque, ele beijou-a e no mesmo instante ela abriu os olhos. Os dois então se casaram, sob a benção das 13 fadas, e viveram felizes para sempre.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Descontos de Grimm III
A Bela Adormecida
Viviam, há muitos anos, um rei e uma rainha que todos os dias se lamentavam:
-Ah, se tivéssemos um filho!
Mas nunca eram atendidos. Certo dia em que a rainha estava tomando banho no rio, um sapo saltou das águas e lhe disse:
-Teu desejo será satisfeito; antes de um ano darás à luz uma filha.
E aconteceu o que o sapo anunciara; a rainha teve uma menina tão linda que o rei não cabia em si de alegria e organizou uma grande festa. Convidou não só seus parentes, amigos e conhecidos, mas também as fadas, para que elas abençoassem a criança. Havia no seu reino 13 fadas e, como o monarca só tinha doze pratos de ouro para servi-las no banquete, não teve outro remédio senão deixar uma dela sem convite.
A festa celebrou-se com todo o esplendor e, quando terminou, cada uma das fadas concedeu à menina um dos seus dons maravilhosos. A primeira lhe presenteou a virtude; a segunda, a beleza; a terceira, a fortuna e, assim, sucessivamente, dotaram-na de tudo quanto se possa desejar neste mundo. Quando onze fadas haviam pronunciado suas graças, apresentou-se, de repente, a décima-terceira que, desejando vingar-se por não haver sido convidada para a festa, exclamou, sem olhar para ninguém:
-Quando a princesa completar quinze anos será atingida por uma flecha e cairá morta.
Todos os presentes ficaram apavorados. Restava, porém, a décima-segunda fada, que ainda não havia expressado o seu desejo. Embora não tivesse poderes para anular a sentença fatal, pôde atenuá-la. Adiantando-se pois, disse:
-A princesa não morrerá, mas vai cair num sono que durará cem anos!
Enquanto isso, os dons concedidos pelas boas fadas foram se manifestando na menina. Ela tornou-se linda, modesta, amável e ajuizada, fazendo com que todos a estimassem.
No dia em que completou quinze anos aconteceu que o rei organizou um desfile para mostrar sua filha aos seus súditos. Então saíram na carruagem real, o rei, a rainha e a princesa. Logo atrás vinha outra carruagem com a guarda real. Imaginem vocês o que aconteceu: um rapaz chegou muito perto da moça e a guarda preparou-se para flechá-lo. No entanto, o atrevido moveu-se com tamanha rapidez que deixou o caminho livre para a flecha e esta acertou a moça. Acertou justo no dedo. Mal, porém, foi atingida, realizou-se a maldição. No mesmo instante, caiu sem sentidos sobre o banco da carruagem adormecendo profundamente. Contudo, o rei e a rainha ficaram acordados e construíram um túmulo de vidro para que a sua filha ali repousasse em paz. Eles iam todo dia ao túmulo e choravam.
sábado, 9 de agosto de 2014
Nota Importante
Essa nota foi encontrada no prefácio do livro "Converse em Italiano em 30 dias": Sendo a língua italiana uma das mais ricas que há, e existindo nela uma infinidade de sinônimos, a tarefa de organizar um livro que ensine a falar em trinta aulas não é nada fácil.
Acresce que embora sendo a Itália um país tão pequeno territorialmente, ali se falam várias dezenas de dialetos, patuás e regionalismos (que em geral são desconhecidos em outras cidades ou zonas). São conhecidíssimos os casos de pessoas que estudam italiano durante alguns anos e quando vão à Itália só se fazem entender em duas ou três cidades, e também compreendem o que lhes dizem apenas em raros lugares daquele formoso país.
Por estas razões, o italiano que se ensina nestas páginas não é, por assim dizer, o de Dante... embora haja quem entenda que é esse que se deve aprender, por ser mais correto e mais literário. Aliás, raras são as criaturas que entendem a linguagem antiquíssima e muito original e raríssimas as que tem cultura literária suficiente para isso...
Nesta modesta obra procuramos empregar o italiano que está em vigor atualmente, dando ainda, uma vez ou outra, um pouquinho desses dialetos utilizados por muitos milhões de italianos, para que se possa ter ao menos uma noção disto.
A fim de exemplificar melhor, desejamos dar desde já, nesta nota, algumas expressões e certas pronúncias, além de uns poucos sinônimos. Esta língua é a de uma terra que no passado possuía um elevadíssimo índice de analfabetismo, de maneira que o povo aprendia "de ouvido". Ora, tudo quanto ouvimos apenas, em lugar de ler e estudar, sofre numerosas deturpações. A maneira de escrever também varia um pouco, pois ora escrevem várias palavras separadas, ora numa só. Alguns acentos se destinam a facilitar a pronúncia. Aliás, o único acento que os italianos usam é o grave.
Vejamos então, alguns exemplos, com dialetos e tudo:
rapaz, moço ................ ragazzo, giovane, giovine, masnèn
fazer ..................... fare, far, faccire
tomate ........................ pomodoro, pummarola, pommoro, pommadò
jornal .................... giornale, giornal, iornale, iurnale
Deus ....................... Dio, Iddio, Iddì, Di
Mocinha .................... giovinetta, giovanetta, giovine, fia
amanhã ..................... domani, dimani, doman, dimane
Nossa Senhora ................ La Madonna, a maronna, a marò
No meio ...................... nel mezzo, immiez, immez, nu miezzo
Escola ....................... scuola, iscuola, scola, scuò
e assim sucessivamente.
Enfim, no italiano... vale tudo, por assim dizer. Nas localidades próximas da fronteira com a França falam um italiano afrancesado. Há uma parte da Itália onde, para dizerem "Quem foi aquele que colou aquelas colunas?" (Chi è quello che ha incollato quelle colonne là?)dizem assim: "Chi calè colù che la culè cule colonne là?"
Uma coisa não varia, em todo o território italiano: é o falar cantando. Sim, esse idioma não se fala, mas canta-se... nos mais variados tons e ritmos. O que muito concorre para isto é o fato de serem quase todas as letras dobradas; ora, isto quase sempre faz as vezes de acentuação, produzindo uma breve pausa entre cada uma das letras duplas. Ademais, esta língua tão bela e sonora se fala acompanhada de inúmeros gestos com as mãos, os braços, a cabeça e o corpo, como se unissem à música, a dança.
Acrescentaremos por fim, que o italiano se fala, geralmente, em tom alto, agudo, forte, com gritos, exclamações teatrais, violência, imprecações, pragas, ameaças, insultos... Dir-se-ia que o povo italiano traz no sangue a essência dos vulcões que agitam o seu solo.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Descontos de Grimm II
A Gata Borralheira Era uma vez um homem que tinha duas esposas. Este homem tinha três filhas, uma da primeira esposa e as outras duas da segunda esposa. Acontece que a filha da primeira tinha a pele muito branca, mas o coração negro e maldoso. Seu nome era Emanuelle; e as filhas da segunda tinham a pele bronzeada, mas o espírito alvo como a neve. Eram muito trabalhadeiras estas duas, Mona e Lisa eram os seus nomes, mas Emanuelle era preguiçosa e fofoqueira. Mona e Lisa cresceram fortes e robustas e Emanuelle cresceu franzina e branquela, pois estava sempre dentro de casa enquanto suas duas irmãs estavam estendendo roupa, cuidando o jardim, colhendo verduras na horta e frutas no pomar.
E assim chegaram dias em que Mona e Lisa deram um basta, diziam elas: - Quem quiser pão terá de merecê-lo. Essa preguiçosa que vá para a cozinha! Tiraram-lhe seus lindos vestidos, fizeram-na enfiar roupas velhas e deram-lhe um par de tamancos para calçar. Então levaram-na para a cozinha, e gritavam rindo:
- Vejam a bela princesa, como está bem vestida!
Ali passava ela o dia inteiro ocupada com trabalhos pesados. Pela manhã levantava-se antes de raiar o dia, carregava água, acendia o fogo a lenha, cozinhava e lavava roupa. E não era só isso. Suas irmãs ainda ralhavam com ela constantemente para que não fugisse aos deveres. À noite cansada de tanta trabalheira logo adormecia numa cama improvisada junto ao calor do fogão. Por isso andava sempre empoeirada e suja e todos em casa a chamavam de Gata Borralheira por causa das cinzas do fogão.
Certa vez o pai, pretendendo ir à feira, perguntou às irmãs Mona e Lisa o que desejavam que lhes trouxesse de presente.
– Lindo vestidos – disse uma delas.
– Pérolas e pedras preciosas – disse a outra.
E tu Borralheira – indagou o pai – o que desejas?
– Pai na sua volta, corte o primeiro ramo floreado que lhe tocar o chapéu e traga-o para mim.
O homem, que era rico, comprou belos vestidos, pérolas e pedras preciosas para Mona e Lisa. De regresso, ao cavalgar pelo mato, um ramo de ipê lhe fez cair o chapéu. Quando chegou em casa deu a cada filha o que haviam pedido. Borralheira pegou o ramo e plantou-o no quintal. O ramo foi crescendo, crescendo até tornar-se uma bela árvore. A Borralheira ia lá três vezes por dia, chorava e rezava para não ter mais que trabalhar daquele jeito.
Aconteceu que o rei organizou uma festa que deveria durar uma semana e as moças mais formosas foram convidadas para que o príncipe herdeiro escolhesse dentre elas a sua esposa. Quando as duas irmãs Mona e Lisa souberam que haviam sido convidadas ficaram que não cabiam em si de alegria e chamaram logo Borralheira que não havia sido convidada.
– Penteia-nos – disseram-lhe. Escova nossos sapatos e fecha as fivelas. Vamos à festa no palácio real.
Borralheira obedeceu mas começou a chorar porque também gostaria de ir ao baile. Pediu pois à sua mãe que a levasse.
– Por que não fui convidada, por que não fui convidada? – murmurava ela.
– Quem sabe o convite se extraviou Emanuelle – disse-lhe a sua mãe.– Vá tomar um banho para tirar as cinzas da tua pele, depois vista o teu melhor vestido de festa e adorna-te com as tuas melhores jóias.
Então ela foi e vestiu um vestido bordado a ouro e prata e uns sapatinhos adornados de seda. Infelizmente, a mãe de Mona e Lisa não gostou da ideia de Emanuelle ser eleita a princesa. E pra não arrumar briga a mãe de Emanuelle proibiu-a de ir ao baile. Quando Mona e Lisa chegaram ao lugar da festa, o príncipe que era alto, olhou por cima das moças, e falou:
– Falta uma moça , o censo diz que há 300 moças no meu reino. Eu tenho ciência de tudo que se passa no meu domínio e eu sei que falta uma moça prendada que dispensa até o uso de criados. Mandem buscá-la!
Enquanto isso Emanuelle chorava e suplicava à sua mãe que a permitisse ir ao baile. A moçoila levou um susto quando a carruagem real parou na sua porta e mandou-a entrar. Enxugou logo as lágrimas e recompôs-se. Só então entrou na carruagem. Logo estavam de volta no baile. O príncipe foi ao seu encontro, deu-lhe a mão e dançou com ela. Depois dançou com as suas irmãs Mona e Lisa, uma de cada vez. E tornou a dançar com ela. Dançou com todas as moças convidadas. E sempre tornava a dançar com ela. Se acaso outro se aproximava para convidá-la, ele dizia: – Ela já tem par. Borralheira dançou até tarde, quando, então, quis voltar pra casa.
– Vou acompanhar-te – disse-lhe o príncipe, pois pretendia pedir a sua mão ao seu pai. Mas ela conseguiu escapar-lhe e se refugiou no celeiro junto com os gatos. Era arisca a Gata Borralheira.
No dia seguinte, na hora de começar a festa, a carruagem veio apanhá-la de novo e trouxe-lhe um vestido mais belo que aquele do dia anterior. Quando a moça se apresentou no palácio, todos ficaram assombrados diante da sua beleza. O príncipe que já a esperava o tempo todo, logo tomou sua mão e só dançou com ela. Se aparecia outro para convidá-la, ele dizia: – Ela já tem par.
Quando a jovem quis retirar-se, o príncipe a seguiu ansioso para pedir a sua mão. Ela, porém, desapareceu rapidamente no celeiro de gatos. Ele procurou-a aqui e ali, abriu a porta do celeiro e só viu vários pares de olhos mirando-o fixamente. Então fechou a porta intrigado e, Emanuelle saiu de trás da porta.
No terceiro dia, a carruagem veio apanhá-la e trouxe-lhe um vestido magnífico, como ainda não tivera igual, e os sapatinhos eram inteiramente dourados. Ao se apresentar na festa com aquele traje belíssimo, os convidados se surpreenderam tanto que não podiam fechar a boca de admiração. Alguns a tiveram por ladra, pois, diziam eles “Da onde ela arrumou a fortuna que custa esse vestido?”.
O príncipe só dançou com ela e, se alguém a convidava ele dizia: – Ela já tem par. Na hora de sempre Borralheira se despediu. O príncipe quis acompanhá-la, mas a moça lhe escapou com tanta rapidez que ele não a pode seguir. Desta vez, porém, o príncipe recorrera a um ardil. Deixara um cavaleiro de plantão na casa da moça em localização estratégica. Assim, mal a moça adentrara o celeiro dos gatos foi agarrada pelo braço. De volta ao palácio o rei a recebeu e também ao seu pai.
No dia seguinte a mãe de Mona e Lisa protestou:
– Mona e Lisa são muito mais bonitas que essa..., essa Gata Borralheira; merecem muito mais a oportunidade de ser princesa.
E o marido que já havia aceito dar a mão de Emanuelle em casamento acabou por ouvi-la para acabar com a importunação. Voltou ao palácio levando as duas consigo e bradou:
– Só posso dar a mão de Emanuelle se Vossa Alteza aceitar desposar primeiro uma dessas minhas duas filhas.
E o filho do rei lançou mão de mais um ardil, ofereceu às duas irmãs um casamento pomposo com dois ilustres duques e o título de duquesa a cada uma delas. Trato feito e selado! De volta para casa o cocheiro cantarolava:
"A noiva verdadeira não é essa que aí vai! É a cozinheira, é a lavadeira, é aquela por quem o coração do príncipe cai!"
Ao chegar o dia do casamento, estavam as três moças uma mais formosa que a outra e entraram juntas na igreja, e festejaram juntas no mesmo baile e foram felizes para sempre.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Descontos de Grimm
Essa é a minha versão do conto da Chapeuzinho Vermelho
Era uma vez uma menina tão boa e carinhosa que todos, só de olhá-la, lhe ficavam querendo bem. Mas quem mais a estimava mesmo, era a sua avozinha, que já não sabia o que fazer para mimá-la. Certo dia deu-lhe, de presente, um chapeuzinho vermelho, de veludo. Assentava-lhe tão bem que a pequena não queria usar nenhum outro e por isso a chamavam de Chapeuzinho Vermelho. Disse-lhe um dia sua mãe:
– Chapeuzinho Vermelho, aqui tens um bolo e uma garrafa de vinho; leva-os para tua avozinha. Ela ficará mui contente. Põe-te a caminho antes do sol forte e, quando estiveres lá fora, anda direitinho e não te afastes da estrada; poderás encontrar o lobo mau. Quando entrares no quarto, não te esqueças de dizer “bom dia”.
– Farei tudo como disseste – respondeu Chapeuzinho.
Acontece, porém, que a avozinha morava no bosque, cerca de meia hora da vila. Quando Chapeuzinho entrou no bosque, levantou os olhos e, ao ver dançar os raios de sol por entre as árvores e tudo em torno cheio de lindas flores, pensou “Se eu levo um ramo à avozinha, lhe dou uma alegria; é cedo ainda e chegarei a tempo”. E afastou-se do caminho para entrar no bosque à procura de flores. Quando colhia uma, parecia-lhe que, um pouco mais adiante, havia outra ainda mais bonita e, assim, penetrou cada vez mais no fundo do mato. E eis que surge o lobo. Chapeuzinho assustou-se mas surpreendeu-se com ele pois mostrou-se “camarada”:
– Onde vais Chapeuzinho?
– Vou à casa da minha avozinha.
– Queres que eu te acompanhe? Há muita maldade por aí, tu precisas de proteção.
– Quero sim, vou levar essas flores para ela e, também, bolo e vinho. Chegando à casa da avozinha, Chapeuzinho bateu à porta.
– Quem está aí?
– Chapeuzinho Vermelho que traz bolo e vinho para ti. Abre!
A avozinha reconheceu a voz da netinha e abriu a porta. O lobo não perdeu tempo e, de uma só vez, devorou as duas. Ficou com uma pança de 5 meses de gravidez. No entanto, o caçador ouvira os gritos das duas e pusera-se a caminho da casa da avozinha. Quando chegou lá viu a avó na cama, com as cortinhas fechadas, a touca quase lhe tapando o rosto, apresentando um aspecto muito esquisito.
– Avozinha – disse ele – como estão grandes os teus olhos.
– É pra te ver melhor.
– E como estão grandes as tuas mãos.
– É pra te pegar melhor.
– Mas, avozinha, que boca mais horrível.
– É pra te comer melhor!
Mal disse isso o lobo saltou da cama e foi atingido por uma bala da espingarda do caçador. O lobo caiu semi-morto. O caçador largou a espingarda, pegou o lobo de ponta-cabeça e sacudiu bem, devolvendo assim Chapeuzinho Vermelho e sua avozinha à vida. A menina exclamou:
– Como me assustei! E que escuridão na barriga do lobo!
O caçador deu mais um tiro no lobo que caiu morto no chão. Os três, então, se sentiram muito felizes. O caçador tirou a pele do lobo e levou-a consigo. A avozinha comeu o bolo e bebeu o vinho que Chapeuzinho lhe trouxera. A menina, por sua vez, pensou “Nunca mais me afastarei, sozinha, do caminho, quando minha mãe o tiver proibido”.
domingo, 29 de junho de 2014
Murais da Ufrgs II
De um antigo relógio alemão
soa uma sincronizada melodia
seguida de doze secas badaladas.
É meia-noite.
De um lado da sala,
uma lareira de tijolos escurecidos pelo fogo
aquece o ambiente, emitindo um desarmonioso jogo de sombras.
Suas labaredas avermelhadas entre suaves tons azulados,
contrastam apenas com a luz de um pequeno lampião enferrujado
sobre uma rústica mesa de madeira.
Por entre as frestas da janela,
cujos vidros um tanto embaçados permitem
a visão da lua e das estrelas reluzindo opacamente
em meio a bruma que cobre toda a cidade;
penetra, causando um frio doído de solidão,
o Vento,
que em harmonia com o incessante vai-e-vem
do pêndulo do relógio,
leva à uma sufocante depressão melancólica
e faz com que, lá fora, as folhas das árvores
dancem, numa melodia compassada
de agudas notas cálidas.
Espelho Natureza de Viviane Grahl
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